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A mostrar mensagens de Abril, 2017

Céu e terra

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Só depois de ouvir o vizinho do andar de cima descer a correr as escadas do prédio, é que Ivã achou que eram horas de se levantar da cama, e o vizinho desceu as escadas depois do toque do despertador de Ivã, depois da buzinadela da carrinha do pão a chamar os fregueses, depois do longo e sibilante suspiro que D. Rosinda sempre soltava no apartamento do lado, infeliz por arrostar mais um dia cheio de silêncios espinhosos e fria indiferença. Ivã levantou-se, tomou o seu banho matinal e ingeriu o pequeno-almoço, uni três ações na mesma frase apenas por amor da síntese porque em Ivã, cada uma delas representava um demorado e complexo ritual, tão solene como a bênção de um novo templo. No universo de Ivan, todas as coisas tinham um lugar estabelecido, adequado, ideal, e os objectos e os lugares que eles tinham de ocupar estavam vinculados de uma forma intensa, férrea, visceral, sem margem para trocas anárquicas ou adúlteros esquecimentos. Se queria aquecer leite no bico do fogão, ia buscar…

Quatro poemas de Ibne Sara, poeta árabe nascido em Santarém (século XII)

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O BRASEIRO O braseiro foi para nós esta noite. Bálsamo quando debaixo da sombra nos picavam os escorpiões do frio. Cheio de luz cortou para nós cálidas mantas debaixo das quais não sabe o frio que estamos. Alimenta o incêndio numa fornalha que rodeamos como se fosse uma grande taça de vinho de que bebemos todos. Umas vezes consente que nos aproximemos e outras nos afasta como mãe que umas vezes amamenta e outra nos retira o peito.
O ZÉFIRO E A CHUVA Se buscas remédio no sopro do vento sabe que em suas baforadas há perfume e almíscar. Vêm a ti carregadas de aromas como mensageiros com saudações da amada. O ar prova os trajes das nuvens, escolhe um manto negro. Uma nuvem carregada de chuva faz sinais ao jardim, saudando-o e logo chora enquanto as flores riem. A terra dá pressa à nuvem para que lhe acabe o manto e a nuvem com um das mãos tece os fios da chuva enquanto com a outra borda flores de enfeitar.
Muitas vezes me aconteceu passar uma noite tornada sem fim porque o tempo prolongava a sua duração dando-lhe a…

O Grande Terramoto de 1755 - um testemunho de Jácome Ratton (1736-1821)

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Época e sucessos respetivos ao Terramoto de 1755     Entre os acontecimentos extraordinários da minha vida não devo omitir a meus filhos o que passei na ocasião do memorável terramoto de Lisboa, que teve lugar no 1º de Novembro de 1755, pelas nove horas e meia da manhã; e como fosse dia de Todos os Santos, tinha eu ido à missa à Igreja do Carmo, cujo teto era de abóbada de pedra, e derrubado matou muito povo que ali se achava, de cujo perigo escapei por ter ido mais cedo e me achar na dita hora nas águas-furtadas das minhas casas, mostrando a um comprador uma partida de papel que nos tinha vindo avariado, e ali se tinha posto a enxugar. Ao sentir o primeiro abalo me ocorreram muitas reflexões tendentes a salvar a minha vida, e não ficar sepultado debaixo das ruínas da própria casa, ou das casas vizinhas, se descendo as escadas fugisse para a rua; mas tomei o partido de subir ao telhado, nas vistas de que abatendo a casa, eu ficasse sempre superior às ruínas. Já quando eu tomei este ex…

O fogo no mar

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Ilha vulcânica surgida a 31 de Dezembro de 1719 entre a Ilha Terceira e S. Miguel e desaparecida novamente depois de um tremor de terra.

Cortesia do portal Gallica da Biblioteca Nacional de França.


Saber reconhecer os inimigos pela cara - um tutorial

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Venetia

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Retirada de: NUOVA GEOGRAFIA di Ant Federico Busching, Tomo primo, Veneza, 1773
(e temos, em redor do globo, a América, a África, a Ásia e, claro, a vaca de Europa)



TAU

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