INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

Uma verdade evidente e, a um tempo mesmo, ignorada e desprezada: A AMIZADE, É UMA FORMA DE GOSTAR.
Não se diz: gosto daquela pessoa! Sinto-me bem na sua presença! Nutro-me tranquilamente das palavras na sua boca, dos seu riso ou da sua melancolia, do aprumo ou desleixo que a carateriza. Diz-se em vez disso: sou amigo de fulano ou sicrana, como se essa afirmação traduzisse um estatuto exterior a nós, desligado do que somos e sentimos, tão inútil como os dígitos de um cartão de desconto de uma loja de confeções, ou a mancha castanho-prateado na superfície externa do vidro da janela do nosso escritório que assinala o ponto de colisão de um inseto cego. A AMIZADE É UMA FORMA DE GOSTAR, e quando chamamos amigo a alguém, e quando de amizade se trata sem sarcasmos nem toxicidades, aprendamos a reconhecer a musicalidade e a riqueza da palavra, e de como ela possui fundas raízes em nós e se arvora acima do labirinto dos dias vãos em frutos que nos alimentam e nos tornam um pouco melhor do que nada. A amizade também nos ensina a GOSTAR um pouco mais de nós, quando isso é possível, mesmo de uma forma pálida e atenuada, e ainda assim, excessiva.

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...