INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

A dignidade do trabalho

Esperou que amanhecesse, na fragilidade trémula da sua velhice. Tinha de sair de casa, mas sentia-se cansado e por isso resignou-se a esperar que a manhã rompesse na esperança de se sentir então com um pouco mais de forças. Sentou-se no chão, encostado ao verso da porta da rua, a armadura já vestida sobre o corpo de pele empergaminhada e o elmo e a gadanha pousados ao seu lado no chão. Ao fim de umas horas ouviu por fim a passarada e a passárgada nas copas das árvores, e admirou um feixe de luz dourada que se alongou junto a si através do vidro da janela ogival. Suspirou de resignação e ergueu-se sobre as colunas anciãs das suas pernas com um esforço titânico e saiu para a rua. O seu cavalo de olhos amarelos como esponjas salientes escoicinhou de impaciência quando o viu, ajaezado com sela púrpura e uma cota metálica tinta de sangue. Mesmo em esforço, e ainda exausto, a Morte montou na sua montada maldita, reiniciando o labor incessante e eterno a que estava condenado.


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...