O terceiro elemento

     Simon Cthulhu, nascido ainda na Terra, foi o primeiro homem a reproduzir-se de forma assexuada por regeneração, tal como no seu planeta de origem o fazem seres terrivelmente simples como a estrela-do-mar ou algumas algas.
     Depois de um grave acidente na órbita do planeta que o fragmentou em três partes, essas porções do indivíduo foram levadas apressadamente para os laboratórios, rodeado por um grande frenesi de cientistas e técnicos. O corpo de Simon Cthulhu fora rasgado de alto a baixo como se tivesse sofrido uma divisão binária, desconchavada a frágil arquitetura óssea e nervosa das costelas, e esse corte soltou o coração que ficou desligado do resto, pequeno órgão palpitante com as suas veias e artérias cortadas. Mergulhados os três fragmentos de Simon Cthulhu em três cápsulas com líquido amniótico, iniciou-se a regeneração (Simon estava mentalmente morto, era um objeto com vida orgânica inconsciente, mas isso não importava aos cientistas e técnicos).
     Um dos fragmentos maiores de Simon regenerou-se e recriou a parte que lhe faltava com o coração dentro dele. Com o outro fragmento maior ocorreu o mesmo de forma simétrica, e os cientistas e técnicos viram surgir diante deles dois Simon Cthulhu, idênticos como gémeos perfeitos. O terceiro fragmento de Cthulhu, o seu coração, teve um processo diverso que carece de mais estudos e teorias: em vez de criar um corpo completo que o envolvesse, um terceiro Simon Cthulhu, esse coração apenas gerou cobras.

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