.


Vem amiga, murmurou-lhe, refugiemo-nos um no outro! Ela acedeu, tranquilizando os seus temores, e ficou dentro dos seus braços que a envolviam como dois pontões quebra-mar de um porto de abrigo. Juntos num remanso de serena felicidade, souberam que podiam descansar, querenar, consertar o velame e o casco, refazer a bússola, a quilha, reconstituir o portulano rasgado. Os mares e litorais aguarelados pareciam menos estranhos, impolutos de monstros e dragões marinhos e as rosas-dos-ventos resplandeciam nos seus rumos de cor e ouro, e enquanto selavam com beijos o asilo e o refúgio, deixaram de ouvir o macaréu que se aproximava deles como uma onda tóxica de despeito e inveja.

Mensagens populares deste blogue

A viagem

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue