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A mostrar mensagens de Maio, 2015

De «O Mito de Sísifo» de Albert Camus:

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        Todas as grandes ações e todos os grandes pensamentos tem um
começo irrisório. As grandes obras nascem, frequentemente, na
esquina de uma rua ou no barulho de um restaurante. Assim
também a absurdidade. O mundo absurdo, mais do que qualquer outro,
extrai a sua nobreza desse nascimento miserável. Em certas
situações, responder «nada» a uma questão sobre a natureza dos
seus pensamentos pode ser uma dissimulação para com um
homem. Os entes queridos sabem disso. Mas se essa resposta é
sincera; se representa esse estado d'alma em que o vazio se torna
eloquente, em que a cadeia dos gestos quotidianos é rompida, e
em que o coração inutilmente procura o elo que a restabeleça,
então ela é como que o primeiro sinal da absurdidade.
          Ocorre que os cenários se desmoronam. Levantar-se, autocarro,
quatro horas de escritório ou fábrica, refeição, autocarro, quatro horas de
trabalho, refeição, sono, e segunda, terça, quarta, quinta, sexta e
sábado no mesmo ritmo, essa estrada se sucede facilmen…