INSTRUÇÕES:

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O plano arquitetónico minuciosamente ajustado e concretizado da cidade de Xanadu-Al

Xanadu-Al era uma cidadezinha de província, que começou por ser como todas as cidadezinhas de província, sem origem certa e com uma mais-do-que-certa-ausência-de-futuro. Mas a mão do homem contrariou esse aparente determinismo. Ou a mão do sátrapa anatólico de Xanadu-Al. Gizando planos arquitetónicos fabulosos para a cidadezinha, deu ordens para que se iniciassem de imediato as obras.

E elas arrancaram, com um brilho e uma ambição desmedidas.

O alcatrão das ruas foi coberto por placas ovais de obsidiana, fundidas umas às outras com cordões de chumbo derretidos por feixes de Laser.

Um canal subterrâneo desviou da superfície o rio de águas lodosas que os gangsteres costumavam alimentar com os cadáveres resultantes das suas incessantes vendettas.

O cristal e o jaspe branco vestiram com novas roupas os prédios modernos mas esteticamente desajustados.

Os plátanos e os álamos antigos foram substituídos por árvores de zircão e ouro, onde pássaros mecânicos enchiam os ares com os seus cânticos.

Deixaram de existir portas fechadas em Xanadu-Al e todas as portas das casas se abriam para vestíbulos inundados de luz e das fragrâncias do incenso.

Os animais de estimação passeavam-se livremente pelas avenidas e pelos parques de árvores artificiais.

Xanadu-Al tinha TUDO para que alguém se sentisse feliz em viver dentro dela.

Mas Xanadu-Al não tinha ninguém. Já não existiam ali pessoas.

O sátrapa anatólico de Xanadu-Al teve de as vender, e aos seus bens, para custear as obras.

E teve de inciar as obras para dissimular as vísceras da cidade que começavam a sair pela boca dos túneis e pelas chagas no alcatrão das avenidas.

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...