Não vou escrever metáforas para a vida, o futuro ou as palavras. Não vou. Não escrever metáforas é a minha meta – fora com as metáforas! Cada palavra será tão exata e ineludível como os termos de uma equação matemática. Não sigo com imagens fluidas do real concreto, ecos suavizados do estampido de uma arma ou da violência inaudita de uma exclamação de alegria. Narciso apodrece no fundo das águas. Singremos. Sem olhos na nuca, nem resíduos de nostalgia, a abocanhar os lótus de paz. Os horizontes germinam diante de nós, Polaris dos nossos sonhos tristes de penumbra, espiralam os seus ramos negros na linha do horizonte como uma mata pélvica que promete o prazer, e nos concede antes os frutos negros da morte, a gangrena das palavras em nós. Não vou escrever metáforas!

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