Kimura


A cerejeira de ramos despidos localizava-se junto ao muro de pedra, no topo norte do jardim. Era inverno. Kimura inspecionou o jardim. Pela primeira vez em muitas semanas, o frio diminuíra e o sol espreitara um pouco nesse dia. A Primavera parecia possível, agora. As glicínias, os animais e insetos, as flores na trepadeira do muro de pedra, as árvores de fruto a desabrochar numa sofreguidão vegetal. Kimura sentou-se num banco de pedra. Sentia-se feliz, poderia entoar um mantra ou um verso de Bashô, mas contivera-se por deferência aos dois pardais cor de canela que saltitavam e trinavam nos ramos despidos da cerejeira, os primeiros pássaros que ali via nesse Inverno.

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