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galope

Uma vida de emoções forte, o clique metálico do agrafador a unir as folhas dos despachos, a teia de aranha no teto do corredor, a mancha colorida no linóleo do chão, não aguento tantas emoções em disparada, a pulsação sobe, os vasos linfáticos inflam e linfam, sinto as mãos a tremer com os nervos, o tropel de emoções acelera, a sombra do cortinado batido pelo Sol da manhã avança sobre mim, há corpúsculos cósmicos de pó a dançar na atmosfera, o rapaz da sala de arquivo passa por mim como se fugisse de um fogo de feno na pradaria, tenho de me controlar, preciso refrear os nervos ou o coração ainda me rebenta no peito como uma melancia esmagada por uma marreta de ferro, calma, calma, respiro fundo para me acalmar e no fundo também há emoções, fogo, lava, tarântulas e salamandras de fogo, sarças ardentes de frutos de polpa sanguínea, as coisas estão a descontrolar-se, os puxadores ovais das portas estão muito mais manchados do que antes, e pulsam como pequenos corações de serpente, o coração, o meu coração, bombeia-me sangue alucinógeno para todo o corpo e já não me sinto capaz de manter os meus pensamentos seguros ao meu espírito e os meus membros colados ao meu corpo estou a desintegrar-me em centenas de células em losango que se cravam nas paredes e no teto como pontas de flecha em aço diamantino, estou a pulverizar-me mas o somatório de todas essas partículas não me representa, não sou eu, algum desses pontos, algum ponto será mais importantes do que todos os demais, e será o que eu sou como uma semente à escala planetária pressionada e comprimida até dimensões microscópicas e invisíveis a olho nu
- José?!
- Sim?
- Deixa de escrever nos relatórios e arquiva-os de uma vez por todas!!

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...