viagem

“Todo o fim contém em si o germe de um novo começo!” – enunciou o meu companheiro de viagem, parado ao meu lado, no carreiro que descia por entre pedras e brenhas.
- Não me digas!?
- É verdade! O fruto apodrecido no chão carrega a semente de um novo fruto, a estrela cadente que arrefece  na encosta esparziu já a centelha de um fogo brando ou de um sonho persistente e o velho carcomido que morre na solidão dos seus aposentos nauseabundos, transmite a sua sabedoria ao espírito de uma criança que desabrocha das coxas da sua mãe no outro lado do mundo.
- Não digas disparates, e anda, que eu levo-te! – disse eu num gesto de compaixão, apanhando do chão a caveira falante para a transportar no saco que tinha ás costas. Talvez assim, ela se calasse.

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