Greve sem grevas

Radomiro iniciou uma greve de fome para protestar contra as exíguas porções de comida na cantina da escola. Estava muito convicto do seu ato e da sua razão e sentou-se imperiosamente numa das mesas da cantina para iniciar greve.

Almoçou, relativamente bem, porque a comida não era muita e, depois de sorver o resto do refrigerante, e de beber um café com natas, proclamou:

- Eu inicio, por este dia, a minha greve de fome.

E por ali ficou, de braços cruzados como um cacique orgulhoso, até soar a campainha e ter voltar para as aulas. Se ele mantinha a greve de fome pelo resto do dia, e após o regresso a casa,, ninguém o poderia assegurar

No dia seguinte, repetiu a cena, e no dia depois desse, até o diretor da escola ir de propósito à cantina para tentar por cobro àquela greve de fome. Já andava tudo alvoraçado por aquele gesto de protesto, e era notório que Radomiro emagrecera com a greve de fome, tal como seria de esperar. As roupas pareciam-lhe largas e as maçãs do rosto haviam quase desparecido no seu rosto magro e esguio.

- Prometo que, de hoje em diante, as porções de comida serão mais generosas nesta cantina, se aceitar suspender a sua greve de fome – garantiu o diretor da escola a Radomiro, na esperança de uma cedência.

Radomiro pensou no assunto durante uns longos dois ou três segundos, e depois emitiu a sua concordância, mandando vir uma chávena de café com natas - porque já havia passado um quarto de hora desde que bebera a última, e precisava recuperar forças e energia.

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