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Sem sentidos


    A primeira coisa insólita que os seus sentidos capturaram nesse fim de tarde abrasador, foi o cheiro intenso do almíscar a encher-lhe as narinas, libertado, ao que parecia, pelo petróleo que corria na calha para o tanque-reservatório da refinaria. Aproximou a ponta dos seus dedos e tocou ao de leve no líquido escuro, mas sentiu-se desiludido, era apenas petróleo, espesso e viscoso como qualquer petróleo. Em seguida, o que foi consentido aos seus sentidos, foi admirar as flores que corriam à superfície do líquido, solitárias ou atadas em colares, como aquelas que já admirara mais a norte, nas festividades do Ganges. Sacudiu a cabeça, a tentar dissipar os efeitos do calor e do Sol, e procurou sair rapidamente dali, mas as vozes que o chamavam do interior do tanque – Shiva? Kali? -  ataram-no àquele lugar como uma corda de muitas voltas.

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...