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O sopro


- Não guardes tudo dentro de ti, atira cá para fora, desabafa, sopra!

(Aconselhava a visita ao seu lado, uma velha senhora, sentada na beira da cama do hospital. Mas ela resistiu. Já não sabia como fazê-lo).

- A dor e a angústia fazem ninho em nós, enrolam-se dentro do nosso peito e não nos deixam respirar! Sentes o aperto? São os nós não-desatados das palavras, tudo o que podias e devias ter deitado cá para fora e guardaste, só para te sufocar.

(Hesitou. Agora, aquilo fazia sentido e parecia-lhe acertado. Reuniu todas as réstias de força em si e soprou, com muita força).

(Foi o seu úl-ti-mo sopro).


(A visita retirou-se então, leve como um suspiro).

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...