jardim

   - Já há bastante tempo que não te via por aqui! Já devias andar com saudades…
   Ela sorriu, um sorriso que mal merecia essa descrição, sumido, triste, de lonjuras. Passou a mão trémula pelos cabelos escuros e segurou no copo de cerveja que estava pousado no tampo do balcão.
   - Eu não tenho saudades de nada nem de ninguém. O meu coração é uma pedra de gelo!
   - Não acredito. És tão bela, e irradias sedução. Acredito, isso sim, que tu, como todos, precisas de te protegeres, de resguardar o coração por trás de muros e fossos. Só assim conseguimos sobreviver.
   Ela anuiu, erguendo para ele os olhos verdes.
   - Estou de acordo contigo. Pessoa tinha um verso em que dizia que o coração era um jardim no meio dum círculo de ervas daninhas. É realmente assim que temos de viver.
   - E onde estou eu? No jardim, ou nas ervas daninhas?
   A mão dele aflorara a coxa sob a mini-saia. Sentiu-se excitado com o calor da sua pele.
   - Um pouco menos longe do que quando começaste a falar – reconhece ela.
   - Então vamos lá para cima, para um dos quartos. Estou com dinheiro e prometo que, desta vez, não te magoo…muito…

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