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A resposta

   A família, o casal e duas filhas adolescentes, chegou á cidade pequena da costa na hora fresca do entardecer. Fizeram o Check-in no hotel onde tinham reserva, e interrogaram-se sobre o que iriam fazer em seguida. A patroa queria espreitar a praia, ver se ficava muito longe do hotel, se era ventosa ou não, e se tinhas lojas ou restaurantes nas imediações. As filhas adolescentes iam com ela, mas primeiro queriam descobrir se havia algum centro comercial de jeito na cidadezinha, se tinha cinema, lojas de marca, Mac, restaurante chinês. O pai delas,e marido da respetiva, divergiu da família sem grandes protestos dos companheiros de viagem. Já o conheciam. Era mais introspetivo e reservado, e preferia perambular pela cidade com a sua Canon, descobrir ângulos, pessoas, bairros antigos e velhos monumentos.
   Assim fez, começou a partir do mar, dos bairros de pescadores de ruas estreitas e empedradas e casas pobres e simples, e foi subindo a encosta. O centro histórico era mais acima, nascido quando o mar estava mais subido. Havia argolas pesadas para as amarras dos navios na parede de uma capela a trezentos metros da água. Fotografou. Encontrou igrejas antigas, um paço renascentista, algumas janelas e varandas em arte-nova, e alpendres e arcadas que lhe lembrava alguns edifícios de Coimbra. Mais fotos. Via poucos jovens, mas também já quase não parecia haver pescadores. Mesmo a zona mais moderna da cidade, onde o vidro das fachadas dos prédios espelhava o sol em declínio, dava a ideia de desolação. Muitos turistas, muitos idosos e ruas quase vazias. Os mais novos deviam ter migrado, procurado trabalho ou fortuna nas cidades grandes, despovoando a cidade do entusiasmo dos jovens e do riso das crianças.
   Na zona mais alta da cidade, onde os prédios começavam a ceder o lugar a mansões grandes com jardins e piscinas, encontrou um prédio estranho que lhe despertou de imediato a atenção. Possuía uns quatro andares, mas nenhuma janela ou porta em qualquer dos pisos. As varandas avançavam para a rua a partir de paredes sem aberturas ou vãos. Tirou fotografias. Contornou o quarteirão até ás traseiras do prédio, e confirmou que também ali não havia portas ou janelas. Ainda pensou se não seria uma obra interrompida em que os contrutores tivessem emparedado as entradas para dissuadir alguma ocupação ilegal, mas o cuidado com que as paredes estavam pintadas e ausência de ombreiras contrariava a ideia. Outro detalhe, singelo mas estranho, era a presença no piso térreo, tanto á frente como atrás, do escudo da cidade, um brasão com dois leões rampantes ladeando uma chave, com um barco na parte superior e uma coroa mural de quatro torres. Fotografava-o, quando sentiu uma presença ao seu lado. Era um velho, mais um, de pernas arqueadas e apoiado a uma bengala, envergando calças e camisa de cor negra.
   - Boa tarde, o senhor é daqui? - interrogou.
   O outro confirmou com um aceno de cabeça.
   - Para que serve este prédio? Já morou aqui alguém?
   - Mora - retificou o ancião; encheu o peito de ar e prosseguiu - os ausentes...




Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...