Primeira história com moral

   Um homem, que aqui nomearemos por João, está no elétrico, em pé, apoiado às costas dum banco. Junto a si, um casal discute, furiosamente, ou com mais rigor se dirá que ele grita com ela, e ela respondia com palavras sem nexo como se elas pudessem amainar a fúria do seu companheiro proceloso.
    João sabe que não tem que ver com o assunto, ninguém tem, mas, por capricho ou destino, ele e o casal saem na mesma paragem - e quando saem os três, o jovem vira-se para ela e aperta-lhe o braço com uma mão enquanto que com a outra lhe bate na nuca com vontade e força.
   João sai da sua zona de conforto, do seu perímetro de segurança, para uma coisa estúpida: dizer ao tipo que não havia necessidade de bater daquela forma. O que se seguiu foi tão rápido como um piscar de olhos, o homem estica o braço para ele, e João nota que ele tem uma navalha na mão, apenas algumas frações de segundos antes dessa navalha o esventrar dos rins ao plexo solar. Cai por terra, e assiste, estupidificado, ao modo como as suas vísceras saem de sí como imundícies dum saco de lixo rasgado.

   Moral da história: para morrer, que se morra desta forma, por alguma coisa que valha realmente a pena!

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