(des) arrazoado

Os universos paralelos tocam-se amiúde, acariciam-se, trocam coisas, beijos, objetos, emoções, lugares e visões.

Deve existir um universo paralelo com um planeta como o nosso onde os habitantes sejam apenas mulheres, leves como o ar, que se passeiam sobre as nuvens com mantos brilhantes, as mesmas que inspiraram as visões de Atena, Pachamamma, e da Nossa Senhora.

Noutro, só há animais híbridos e bizarros, que aparecem ao artista que compõe a sua iluminura, ou ao escultor de gárgulas. Diz-se que Bosch, o holandês, conseguira estar junto de alguns desses animais, e que possuía na cara um lanho provocado pela unha dum grifo.

Muitas vezes, alcança-se um outro universo ao cruzar um pórtico transdimensional ou ao subir uma escada sem fim que surge suspensa dum buraco nos céus ou, por fim, por formas mais comuns, como a vulva. É tido como certo que a vulva pode transportar um homem a um universo distinto.

A teoria dos universos paralelos pode também explicar a existência dos alegados sósias, duplicados ou almas-gémeas; uma pessoa como nós que vive num universo semelhante ao nosso, mas diferente e semelhante por serem um negativo nosso – de nós e do nosso universo - um gémeo especular simétrico. Isso dá-me que pensar. Não sei se o meu sósia vive e trabalha enquanto eu durmo, mas estou certo de que ele tem tudo o que me falta deste lado: as riquezas, a felicidade e a paz. Cabrão do sósia!

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