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amigos

- Tenho medo de morrer sozinho - disse num fio de voz, deitado na cama de Hospital - nunca soube fazer amigos, estimá-los, transmitir-lhes o quanto gosto das outras pessoas e de como a sua presença me traz alegria e prazer. Vivi toda a vida dentro duma redoma, entretido com a minha imaginação, e isolando-me das pessoas de carne e osso; a tal ponto que, se tenho família, não sei onde ela pára, ou se saberão de mim e dos meus dissabores.
- Nada temas, porque não estarás sozinho quando o teu corpo descer á terra.
- Quem mo garante? Olha para ti, estás á cabeceira da minha cama, mas há quanto tempo não te via nem falava contigo? Percebes o que eu quero dizer?
- Sei dos teus receios, mas eles são infundados. Eu estive sempre por perto, ainda que não me conseguisses ver. Eu e os teus outros amigos imaginários. Criaste-nos desde a infãncia e povoaste connosco a tua solidão e a tua erma rotina, e nós estaremos contigo até ao fim, e depois disso. Estaremos por perto enquanto respirares, e far-te-emos companhia no velório e no funeral, estaremos lá, uma multidão de gente, em pé por entre as campas ou sentados no muro caiado do cemitério.
- Juras que estarás lá?
- Alguma vez precisei de juar alguma coisa quando me convocavas para brincar aos caubóis ou para correr na lezíria?

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...