Sentindo a agonia do seu pai no leito, o filho cumpre o pedido que este lhe fizera. Toma duma estante os parcos livros que ele escrevera e, subindo à janela das águas-furtadas, despagina aquelas obras, soltando os seus personagens e versos no torvelinho manso da brisa, que as semeia pela cidade, do azeviche do alcatrão ao verde dos baldios crivados de lixo e drogados, e na cúmplice dissolução das águas cor de safira do lago.

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