M.E.P. - Uma síntese biográfica


     A meio do século vinte nasce Euderpe Antunes, filho dum guarda-livros e duma bibliotecária e vem ao mundo com a pele muito engelhada como se fosse um alfarrábio antigo. Contudo, nas primeiras semanas (e ao longo do resto da vida), mamou quanto quis, e a pele esticou.
     A família Antunes não conhecia agravos de dinheiro, muito por “culpa” duma situação M.E.P.: doações e bens que ela recebia de familiares abastados, que se juntavam aos proventos duma gorda e falsa pensão por invalidez que o pai de Euderpe auferia desde que empregara um dos recursos M.E.P. Agradados com esta situação, tudo fizeram para transmitir ao filho todos os valores da tradição M.E.P. Ofereciam galinhas e chouriças à educadora de infância, depois aos professores da Primária. Quando Euderpe foi crescendo, as contrapartidas oferecidas iam sendo diversificadas. Dinheiro vivo para alguns mestres, negociatas com o gerente bancário que o empregou depois de terminar os estudos, tráfico de influências com o aparelho do estado que abriram as portas a Euderpe para uma próspera carreira política. M.E.P., M.E.P., M.E.P.
     No auge da sua carreira como político e como cidadão, Euderpe Antunes partilhava com os seus pais a satisfação pelos sucessos e comodidades obtidas através de todos os recursos e truques M.E.P. Quando pensava nisso, Euderpe dava consigo a refletir que era um perfeito cidadão M.E.P. a viver de pança para o ar no mais perfeito e refinado exemplo dum país M.E.P.


Nota:
M.E.P. = Mínimo Esforço Possível

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