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Xerazade


   Quando Xerazade contava as suas histórias, vinham pessoas e animais de todos os cantos do reino e enchiam as salas do palácio do rei persa Xeriar, presas do encanto das suas palavras. Artesãos e mercadores, corças, tigres e crocodilos, aves de plumagem colorida e serpentes mansas como cães de porcelana – preenchiam o chão e as cornijas, pousados nos móveis e nos candeeiros, ou nadando nos tanques odoríferos dos salões. À medida que as noites se sucediam, e os anos com elas, Xerazade foi enfraquecendo até as suas palavras serem libertadas num fio de voz que todos escutavam num profundo silêncio. Quando sobreveio a sua morte, todas as pessoas e criaturas ficaram para morrer.



Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...