Miniatura 3

     Ás vinte e duas horas do terceiro dia de Dezembro, e sentada na sua cama após as orações, Etelvina Gonçalves decidiu solenemente que iria deixar de sonhar, uma vez que todos os seus sonhos só lhe haviam trazido frustração e desgosto. Deitou-se em seguida e, como havia prometido a si mesma e a todas as potências do mundo, dormiu um sono sem sonhos. Naquela noite, a nenhum ser vivente ocorreu, por fortuito capricho, olhar fixamente a casa de Etelvina porque, se o houvessem feito, teriam visto os seus sonhos a abandoná-la como um enxame de pirilampos, a cruzar a noite escura em busca de um novo lar.

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