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Miniatura 12

   O pequeno bando de aves voava para sul numa formação em vê. Os dois amigos ficaram a observá-las enquanto aquela letra irregular era visível para além da torre de controlo do aeroporto, e se esbatia ao longe no horizonte arroxeado. O Marco reuniu-se-lhes a acenar com a passagem aérea, sorridente e bem disposto. Parecia desenquadrado, com as suas calças finas, a camisa de manga curta aberta no pescoço, e aquele sorriso pateta de satisfação, de quem acaba de entrar numa praia de Verão abraçado a uma morena seminua.
   - Lá fora parece estar um frio de rachar - observou, como se isso não fosse óbvio para todos - e eu vou outra vez com as aves.
   - Voltas na Primavera, não é verdade?
   - Claro, mas não sem antes me informar como está o clima na Europa. O ano passado vim cedo demais e ia congelando por cá. Querem que vos traga alguma coisa do sul quando regressar?
   Os dois amigos menearam negativamente a cabeça, e o Marco sentiu uma ponta de pena deles.
   -Trarei tâmaras do Magrebe, ou talvez um narguilé, para organizarmos uma festança a assinalar o meu regresso. A menos que vocês se resolvam a aparecer lá, e fazemos a festa na mesma...
   Eles esboçaram uma sombra de sorriso, para alívio do Marco, que os abraçou e se encaminhou para a porta de embarque a agitar infantilmente os braços como se fossem as asas duma ave migratória.
- Eu acho que o que ele gosta mais nestas viagens anuais, é de se divertir com a nossa cara de parvos - murmurou discretamente um dos amigos, enquanto retribuíam os acenos do amigo que partia.


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...