Miniatura 1

     O rato de laboratório era cuidado e alimentado a horas certas. Por vezes, sem que ele tivesse entendimento para perceber o motivo, tiravam-no do encarceramento, davam-lhe a comer uma ração com um sabor esquisito, e largavam-no dentro dum intrincado labirinto do qual tentava sair como podia, enquanto uns homens enormes de bata branca cronometravam os seus progressos, e registavam notas em pequenos caderninhos. Um dia, por acidente, ocorreu uma explosão no laboratório, e as paredes frágeis do labirinto voaram pelos ares. O rato minúsculo prosseguiu a sua corrida, saiu do laboratório por uma grelha de ventilação e só parou quando se viu no exterior, rodeado pela noite e pelas ervas. Parou um instante, e hesitou devido ao medo do desconhecido. Sentia-se tentado a regressar ao laboratório iluminado, ao seu viveiro e à alimentação sem esforço mas, por fim, encheu-se de coragem e embrenhou-se na noite funda, onde, não só viria a lograr alimentar-se e acasalar sozinho, como arranjou um emprego noturno e dedicou todo o tempo livre à consciencialização política da sua espécie.


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