Intranquilo

    O escritor fantasma sofria pela frustração de nunca ter acabado o único livro que se propusera escrever. A sua vida acabara e a mulher usara o manuscrito para acender a lareira. Agora, cruzava paredes, quartos e salões, assustando os amantes da mulher e os fúteis convidados das suas fúteis festas e recepções. A sua revolta visceral só diminuía quando, a altas horas da noite, se demorava num dos quartos a admirar o rosto doce do filho adormecido.

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