O acomodado


Partiram um pé ao acomodado. Era um jogador experiente e endividado e sabia que, ao se perder, se pagava por isso. Sorriu e relativizou: “Era apenas um trem de aterragem!”.
Sai do hospital, e recebe a visita dos mesmos facínoras que, desta vez, lhe partem um braço. Justifica o acomodado: “uma asa partida não é um grande estrago na minha situação, porque mal me sustenho nos pés!”.
E vem eles de novo, e quebram-lhe a cana do nariz à paulada; mas o acomodado não desespera: “o bico partido, a um avião, não traz grandes benefícios aerodinâmicos, mas também já antes não podia voar por ter uma asa em mau estado...”.
Quando por fim regressam os mesmos malfeitores e lhe arrancam o coração do peito, o acomodado depressa encontra uma frase para se sentir mais tranquilo: “O motor que tiraram já era velho. Na certa, vão-me arranjar um motor novinho!”.

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