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O embarque

   Enquanto a longa fila de pessoas parecia ter-se imobilizado de novo, passou em revista todas as condições estipuladas para o embarque. A passagem no bolso do seu casaco, a pequena e leve pasta. Não tinha mais bagagens, e aquela pasta deveria estar muito abaixo do peso máximo permitido para a bagagem pessoal.
   - O senhor, por favor! - disseram-lhe por fim.
   Encarou o segurança. Já tinha uma idadezita jeitosa, e ostentava longas barbas brancas como se fosse um profeta ou um dos guitarristas dos ZZ TOP. Entregou-lhe a pasta e o sobretudo, as chaves, o relógio e a fina aliança, e cruzou o arco electrónico, fazendo soar um alarme sonoro e luminoso.
   - Recue por favor! pediu-lhe o segurança - com a sua pasta está tudo em conformidade, mas o senhor traz algo consigo que o detector não tolera.
   - Não vejo o que possa ser - confessou, despindo o casaco - o isqueiro não é de certeza, porque atirei-o pela janela do carro no dia em que deixei de fumar. Talvez seja algum clipe...possuo o tique de mordiscar os clipes enquanto estou a mexer em papéis, e posso ter deixado algum no bolso.
   - Ninguém falou em objectos metálicos -lembrou o homem - não é para isso que serve este detector. O senhor traz consigo algum pequeno animal de estimação? Um hamster, uma joaninha, ou um gafanhoto?
   - Não, céus, porque é que eu iria trazer insectos comigo?
   - Não sei, mas o aparelho detectou a presença dum ser biológico vivo. E não podemos permitir isso!
  - Mas é evidente que a máquina está correcta. Eu não trago nenhum clandestino comigo, mas eu estou vivo, está a ver? Eu sou o ser biológico que ela assinala, e fica explicada a confusão.
   - Mas estamos longe duma solução. O senhor não pode embarcar assim...não podemos permitir isso - repetiu o velho Caronte.


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...