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Hera uma vez...a aflição

    O seu corpo exibia uma cicatriz, sinuosa e interminável como um rifte. Começava na face, junto ao sobrolho da vista direita, estendia-se pela nuca, e descia pelo resto do corpo, ombros, peito, costas novamente, e quadris. Desta cicatriz, ramificavam-se outras, que envolviam os seus membros num movimento em espiral até aos pés e mãos onde terminavam por não terem mais por onde prosseguir. Essa longa cicatriz, que não era uma linha sempre uniforme e contínua, mas pontilhada a espaços, fora causada pelo crescimento envolvente duma hera, que lançou nela as suas guias como se conquistasse um trecho de muro ou o coto duma árvore cortada. Foi aquela hera quase a entrar pela sua vista, que a acordou, e não o beijo do príncipe encantado.

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