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Estrela apagada

   Nos anos áureos dos filmes policiais americanos de série B (quem não se recorda de Bogart, Cagney, ou Edward G. Robinson?), um dos figurantes e actores secundários mais requisitados pelos produtores de cinema era Mark Nicolleto, um actor de origem italiana que entrou em diferentes películas, nas quais debitava uma ou duas falas, no máximo, e onde morria, sempre. Era esse o seu principal talento, morrer em cena, de uma forma espasmódica e muito convincente, varado pelas balas duma metralhadora de tambor, ou atingido no meio dos olhos pelo chumbo em brasa duma bala solitária. Por vezes, a cena da sua morte obedecia a uma coreografia mais complexa do que a morte do personagem principal do filme. Nicolleto foi filmado a morrer em telhados de casa; dependurado da porta dum carro em fuga, ou sacudido por rajadas de metralhadora no interior da porta giratória da entrada dum Banco - e a sua queda ou agonia subsequente era digna de ser vista e revista pelos apreciadores do género. A morte de Mark Nicolleto era um apontamento precioso para todos os realizadores que trabalharam com ele, um pequeno filme dentro da grande película. Apesar dessa relativa prosperidade como actor, Mark Nicolleto nunca teve uma séria oportunidade para singrar na carreira, e permaneceu um actor modesto e sem ostentação, que comparecia para ser morto novamente sempre que o convidavam. E uma prova disso, é que nunca trocou por nenhuma mansão a sua acanhada moradia na Glendon Avenue de Los Angeles, o talhão número cento e dezoito do cemitério Brothers Westwood Village Memorial Park.

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...