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Enfétichado

    O toque de aviso sobre o aro da porta fez levantar o ancião da cadeira por trás do balcão. Espreguiçou-se e mirou a sua loja. Uma jovem ruiva e de pele muito branca estava encostada ao mostruário de cintos.
    -Temos a maior gama que pode encontrar em artigos de couro e cabedal. Cintos, carteiras, bolsas, tudo - publicitou com voz arrastada, e as suas palavras desfaleciam no ar, dessemantizadas, tantas tinham sido as vezes que as repetira até aí.
    - Eu gosto de tudo! - afirmou a mulher com uma voz sensual.
    E, de facto, parecia gostar. Acariciava os artigos, cheirava-os, afundava a cara nas carteiras de cabedal, ou encostava os artigos à face, ao de leve, como se fossem pétalas escuras.
    O lojista ajustou as calças de alças sobre a barriga proeminente e deu a volta ao balcão. Agora ficara interessado. Estudou cobiçosamente a cliente, as nádegas firmes sob a ganga apertada, a t'shirt curta que lhe deixava ao ventre a descoberto, a pele sardenta.
    - O cabedal transtorna-me toda - confessou ela - excita-me, dá-me vontade de morder e rasgar. Quando estou rodeada de cabedal, sou capaz de tudo.
    - Então, veio ao sítio certo para ficar excitada. Tenho muitos mais artigos de cabedal armazenados lá atrás na sub-loja, se quiser, posso fechar a loja por um bocado e mostrar-lhos. Faço qualquer coisa por uma boa cliente!
   Ela sorriu, e deu uma palmada brincalhona na barriga do velho.
   - Você não é nenhum atleta, mas estou curiosa de ver como se comporta nessa idade. Feche lá a porta.
   O velho fechou a porta com as mãos trémulas, desligou as luzes do interior da loja para obstar a curiosidade dos transeuntes, e conduziu a ruiva à divisão adjacente, atrevendo-se a afagar-lhe desajeitadamente um dos seios à passagem.
   - Já o avisei que o cabedal me transtorna por completo...
   Os avisos não incomodavam o lojista, tinha as cabeças noutra coisa.
    - Você era capaz de me fazer um bico? Eu adoraria se você pudesse...
    - Primeiro, dispa-se - ordenou ela, enquanto abria as caixas de artigos arrumadas nas prateleiras, e esvaziava a eito o seu conteúdo no chão - Agora! - ordenou novamente, com voz alterada.
    O homem obedeceu, despindo a roupa à sua frente, mas ela deteve-o quando ia despir as cuecas.
    - Ainda não. Agora, fique quieto!
    E, para espanto dele, ela depôs aos seus pés um molhe de cintos de cabedal, que mais pareciam um novelo de serpentes enroladas umas nas outras. Pegando num de cada vez, ela rodeava o seu corpo e fechava a fivela. Começou com um pelos artelhos, outro à altura do joelho, outro cinto sobre o peito que lhe cingia os braços ao longo do corpo, e um outro que a custo circunscrevia os braços e a barriga.
    - Meu Deus, estou a ficar tão excitada! Acho que não vou aguentar mais...
    - Não aguente, não se deve reprimir, faça-o já.
    Ela soltou um prolongado gemido que mais parecia um uivo, e  fazendo voltear no ar um cinto, começou a bater com ele no velho, imprimindo sobre a sua pele a marca violácea da fivela ornamental da águia da Harley-Davidson.




Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...