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Os saltos do cavalo no xadrez




(O cavalo no tabuleiro de xadrez pode, com duas ou mais jogadas, regressar à casa donde partiu).




Moses saltou da cama quando ouviu os cães ladrar. Era quase meia-noite, constatou-o pelo mostrador do ruidoso relógio de parede enquanto vestia as calças de alças sobre as ceroulas e enfiava os pés nas botas de cano alto arrumadas aos pés da cama. Andava gente lá fora, agora tinha a certeza, podia ouvir o ranger da madeira nos degraus do alpendre. Pensou em empunhar o rifle encostado a um canto da sala, mas desistiu quando ouviu bater à porta. Tranquilizou-se um pouco, não deveria ser necessário mas colocou por prevenção o rifle em pé atrás da porta antes de fazer correr a tranca de madeira que fechava a porta por dentro. Entreabriu-a e espreitou. No alpendre não havia nada de ameaçador, apenas uma mulher baixa, com os ombros enrolados numa mantilha, e em volta, pousados no chão, os volumes recortados na obscuridade de sacos e uma pequena mala. Reconheceu-a, era Harriet, a pequena Harriet, a filha do casal que explorava a loja de ferragens da cidade.
Abriu-lhe a porta para trás e ela entrou na sala de olhos fixos no soalho, arrastando os seus sacos. Voltou a trancar a porta atrás dela e alimentou o brasido da salamandra com lenha que tirou do cesto de vime. Não estranhou o silêncio de Harriet, achou que se deveria estar a debater com dúvidas e preocupações, sem dúvida as mesmas que a haviam arrancado da casa dos pais e feito percorrer as milhas que separavam a cidade daquela cabana de lenhador. Era natural que ela se sentisse constrangida de estar ali. Fez-lhe um sinal para se sentar na única cadeira que havia na pequena mesa quadrada, preparou um prato estanho com papa de aveia que colocou diante dela com uma colher de sopa, isto quando as chamas da salamandra já ardiam com vivacidade, iluminando e aquecendo a divisão.
Deixou-a comer em silêncio, de olhos baixos, até não ter mais papa no prato e continuar a fazer rodar a colher no fundo do prato, num rito ocioso e pensativo insinuando pela sala o som cíclico do metal.
- O que se passa, Harriet? – Perguntou-lhe por fim.
Ela despiu a mantilha castanha que mantivera nos ombros, e ergueu por fim o olhar para si.
- Estou à espera de bebé, senhor Moses – contou, um pouco envergonhada – os meus pais expulsaram-me de casa, e não posso ficar na cidade, porque isso causaria ainda mais vergonha e repúdio aos meus pais. Como o senhor mora fora da cidade e foi sempre gentil para comigo, pensei pedir-lhe para ficar aqui uns dias até saber para onde ir. Tenho uma tia no vale, mas não sei bem como chegar lá…
Moses anuiu com alguma relutância devido aos seus engulhos de homem acostumado à solidão. Tinha idade para ser pai de Harriet, mas a perspectiva de a ter por perto não lhe desagradava. Apontou-lhe para o ventre.
- E o responsável por isso não te pode ajudar?
- Não, acho que não – negou Harriet – era um forasteiro de passagem, Moses, e não acredito que o volte a ver. Mas se achar que eu estou a pedir muito, sigo caminho…
- Não, claro que não, Harriet, podes ficar o tempo que quiseres. Tenho um quarto a mais na casa, desde que o meu irmão Joachim partiu para tentar a sorte em Fresno, quarto que tenho usado como arrecadação. Hoje durmo aqui na sala ao pé da salamandra e tu dormes no meu quarto, e amanhã já limpo o outro quarto e preparo um colchão de palha para colocar naquele estrado. Não ficarás muito mal, Harriet!
- Obrigado, senhor Moses, um dia, quando arranjar um trabalho e ganhar dinheiro, tentarei pagar-lhe algum.
- Não penses nisso – desvalorizou, e arrastou para o chão da sala as roupas da sua cama, onde compôs um ninho para dormir
No dia seguinte, e com a ajuda de Harriet, empreenderam na cabana as alterações que se impunham. Depois de esvaziado o segundo quarto da tralha que Moses para lá fora largando, limparam o quarto e toda a cabana, e Harriet deu uma volta às louças, e lavou os vidros das janelas enquanto Moses enchia uma saco-colchão com palha enxuta dos estábulos. Quando a cabana ficou pronta, Moses arreou os cavalos na pequena carroça, e foi à cidade com Harriet para comprar víveres e outras coisas que começavam a faltar na cabana. Harriet seguiu em silêncio durante todo o caminho, insistira em ir com Moses para que os pais soubessem que ela encontrara onde ficar, e que não continuava a palmilhar carreiros e estradas com um filho na barriga. Na cidade, Harriet permaneceu na carroça enquanto Moses entregava a lenha que lhe haviam encomendado e comprava com esse dinheiro os víveres que precisava. Também precisou de ir à loja de ferragens comprar um candeeiro novo de querosene, e cunhas de ferro para encabar os machados. Aí, os pais de Harriet não lhe perguntaram nada, e aviaram o que ele precisava como se fosse um dia comum e um comum freguês, artifício que Moses acolheu com agrado porque não gostava de confusões e quezílias.
           De volta à cabana, Moses instruiu sumariamente Harriet sobre como usar um revólver que aí conservava - para o caso de ela se sentir ameaçada – e marchou para a floresta com as suas ferramentas e um farnel. Voltou ao anoitecer e enquanto alimentava a acomodava o cavalo nos estábulos, pôde sentir no ar o aroma a toucinho frito e sopa de couves. Sorriu de satisfação. Um homem podia-se habituar áquilo. Nos dias seguintes, a rotina foi-se consolidando. Harriet encarregava-se da comida e da limpeza da cabana e, sempre que tinha tempo, confeccionava ou bordava roupas para a criança que vinha a caminho. Moses e Harriet tomaram gosto em se sentar no alpendre ao anoitecer, quando os dias não eram muito frios, e conversar demoradamente sobre tudo, as pessoas da cidade, as peripécias que Moses já experimentara na vida, os ruídos e as criaturas da floresta em redor. Vendo-a de volta das roupas para o filho, Moses teve a ideia de lhe fazer uma surpresa e, no retiro dos estábulos e usando uma enxó, escavou o interior dum troço de abeto de Douglas, formando a parte central dum berço para o bebé. Unindo as ripas de secção quadrada dum armário sem uso, adicionou as grades na parte superior e os pés do berço, fixados estes a dois madeiros com o feitio de meia-lua, para fazer oscilar o berço dum lado para o outro. Terminado o berço, forrou o fundo com um almofadão largo e deixou-o à porta do quarto de Harriet antes de partir para a floresta pela madrugada.
Quando regressou ao entardecer, não viu Harriet, e sentou-se nos degraus do alpendre para descalçar as botas. Quando deu por ela, Harriet ajoelhara-se atrás de si e envolvera-o nos seus braços, beijando-lhe os ombros e o cabelo, em seguida, levantou-lhe um dos braços e esgueirou-se sob ele até se deitar ao seu colo. Beijaram-se. Harriet tinha lágrimas nos olhos. Naquela noite, Moses, agitado e insone, recebeu na sua cama a visita de Harriet - ela reuniu-se-lhe sob os cobertores com o seu corpo nu, cálido e macio. Moses já quase não se lembrava de como podia ser agradável o odor da pele duma mulher, e a voragem da sua carne voluptuosa.
A partir dessa noite, Moses e Harriet viveram como marido e mulher, e não apenas como dois náufragos confinados ao mesmo destroço de navio. Quando o bebé nasceu, um rapaz, Moses era o pai ao seu lado e o homem da sua mãe. Os pais de Harriet vieram um dia até á cabana para ver a criança logo no seu primeiro ano de vida, mas não levaram a sua charrete até à cabana, mas detiveram-na a uma distância prudente, e ficaram por ali, imóveis, observando Harriet e Moses que conversavam no alpendre com o berço entre eles. Não esboçaram um gesto, ou ensaiaram uma saudação. Ficaram quietos, manietados à sua própria vergonha e preconceito. Ao fim duma hora dessa estranha imobilidade, Moses fartou-se, pegou na criança ao colo e levou-a até eles. Seguraram nela no meio dum silêncio obstinado, afagaram-lhe os cabelos louros, beijaram-na na testa e na barriguita e, por fim, entregaram-na de novo a Moses, junto com uma bolsinha de couro onde retiniam algumas moedas. Subiram para a charrete e partiram de regresso à cidade sem mais palavras. Naquela noite, Harriet chorou continuamente, mais de raiva do que de dor, mas na manhã seguinte, as suas lágrimas haviam enxugado por completo e os seus olhos, cavados de cansaço, luziam de força e determinação.
“Somos só nós os três – disse a Moses – e não precisamos de mais ninguém!”.
Moses concordou, admirando a nudez de Harriet que amamentava a criança sentada aos pés da cama. Apenas os três, e a floresta em redor, ganha-pão e refúgio da tolice dos homens e das cidades. Ela era a sua mulher, e o bebé, o seu filho, as coisas eram tão simples quanto isso, e não lhe causava qualquer embaraço que não existissem semelhanças de espécie alguma entre ele e aquele bebé. Quando a criança cresceu, as diferenças entre os dois acentuaram-se. Ao contrário de Moses, que era de carnação morena e cabelo escuro, o rapaz era louro, de um louro vivo, quase branco, pele muito pálida, e tinha a sobrancelha esquerda interrompida a meio como se uma lâmina tivesse rapado aí os pêlos, característica que sabiam ser um sinal de nascença.
Uns dois anos depois da visita dos pais de Harriet, ocorreu uma outra visita que também perturbou Harriet, embora ela o tentasse dissimular. Um cavaleiro deteve a sua montada diante da casa, e desmontou próximo a Moses, que brincava com o filho. Moses avançou alguns passos, interpondo-se entre o estranho e a criança, atento aos movimentos do homem. O recém-chegado apenas pretendia – disse – saber qual era o caminho mais rápido para chegar às margens do rio Colúmbia. Moses indicou-lhe, e viu-o montar de novo no cavalo, e quando o fez, apareceu Harriet ao seu lado. Moses viu-a empalidecer como se tivesse visto um fantasma e, então, tudo se tornou claro para ele. O estranho tinha cabelos e bigode louro, e a sua sobrancelha esquerda tinha um formato familiar – dois traços cheios interrompidos a meio como se uma lâmina tivesse rapado os pêlos. Uma pontada de ciúmes avassalou-o, algo que nunca antes havia sentido, ciúmes agravados por ver Harriet tão perturbada, tremendo encostada a si. Mesmo depois do estranho partir na sua montada, Moses não conseguiu ficar descansado. No dia seguinte não foi trabalhar, nem naquele que se lhe seguiu, e nos outros mais próximos. Fazia vigilância à casa, espreitava os caminhos em redor, mantinha Harriet e o filho debaixo de olho. De noite, tampouco conseguia dormir, com a certeza de que aquele homem voltaria para reclamar o filho que era seu e a mulher que dele concebera. Foi Harriet quem o arrancou daquela paranóia sem sentido.
- Tens de ir trabalhar – disse-lhe com voz calma e ponderada – precisamos de ir à cidade comprar mantimentos, mas só o poderemos fazer se separares lenha para levarmos. Eu não vou a lado nenhum – continuou – e se algum desconhecido se tentar aproximar, ainda tenho comigo o revólver carregado que preparaste para mim
Moses concordou, mal conseguindo manter os olhos abertos, de tanto sono que tinha. Reconheceu intimamente como a sua atitude era ridícula, preparou a carroça, e carregou-a com as suas ferramentas. Adentrou-se com a carroça na floresta, e rolou por um caminho de terra até chegar a uma clareira semeada de tocos de árvores cortadas. Era ali que costumava trabalhar. Desajaezou o cavalo que atou a um arbusto, e preparou-se para começar a trabalhar, mas a cabeça pesava-lhe com o cansaço, e sentia o corpo quebrado como se tivesse passado os últimos dias a derrubar árvores e não em casa, de vigia aos seus medos. O cavalo relinchava nervosamente devido a relâmpagos próximos e podia sentir o ar carregado de electricidade. Mas estava cansado de mais para se preocupar com isso, uma fadiga enorme e sem explicação que lhe pesava nos membros. Subiu para a carroça, encostou a cabeça a um casaco enrolado e adormeceu de imediato e de forma profunda.


O lenhador Moses acordou algumas horas depois com o ruído estrondoso duma árvore que caíra muito próximo da carroça, ceifada por um raio. Saltou para o meio da chuva, e alarmou-se por não ver o cavalo. A árvore abatida estava caída a uns cinquenta metros, presa pela copa ao tronco doutra, e a bátega de água apagava o pequeno fogo que se ateara na chaga aberta pelo raio. Pensou de imediato em Harriet e no rapaz, e inquietou-se por não saber se estavam em segurança. Conseguiu ouvir o relincho do seu cavalo sobre o ruído da chuva, e foi encontrá-lo numa clareira vizinha, a trotar nervosamente dum lado para o outro. Conseguiu alcançar-lhe as rédeas, e abaixou-lhe ligeiramente a cabeça, abraçando-a sobre os olhos para o acalmar. Quando o conseguiu, levou-o de volta para a carroça com os pés a enterrarem-se no chão enlameado, e prendeu-o aos varais. Subiu para a carroça e conduziu-a de volta à cabana. Levou mais tempo do que desejaria, por ter de remover ramos caídos no caminho, e atravessar com cautela riachos espontâneos formados pela água da chuva e que rolavam para o vale em baixo, arrastando lama e pedras.
Quando chegou junto à cabana, deixou o cavalo nos estábulos e correu para casa, a chamar por Harriet, e sempre a chamar pelo seu nome abriu a porta da frente e penetrou na casa. Estava imersa em silêncio e, o mais assustador, estava diferente e irreconhecível. Não havia Harriet nem o filho de ambos, nem o berço em desuso ao canto onde Harriet guardava as suas coisas de costura, os cortinados que Harriet fizera para as janelas, os brinquedos do filho talhados e montados por Moses que estavam sempre espalhados pelo soalho e sobre a manta de felpa. Correu ao quarto, que não pareceu o quarto deles, mas antes, o quarto árido e desarrumado de Moses dos seus tempos de anacoreta. O segundo quarto também o surpreendeu porque estava juncado de tralha, tal como se lembrava de o manter antes da chegada de Harriet. Sentou-se num banco, completamente confuso. Todos aqueles anos desde a chegada de Harriet pareciam ter-se diluído na água da chuva, como se tudo fosse um sonho, intenso e quase real. Rebelou-se contra essa ideia, selou o cavalo, e dirigiu-se à cidade, fazendo o cavalo galopar sob a chuva intensa, e só o deteve diante da loja de ferragens. Entrou na loja, completamente ensopado e a pingar sobre o soalho. Atrás do balcão estava o desconhecido louro e de bigodes do outro dia, com os seus olhos claros e a falha na sobrancelha esquerda.
- Senhor Moses – disse este, e Moses estranhou o facto de ele o conhecer, e de o tratar pelo nome – o que o traz à cidade num dia de temporal como este?!
Moses balbuciou qualquer coisa inaudível e, por fim, aclarando a voz, perguntou:
- Harriet está?
- A minha mulher está lá trás no armazém, mas eu chamo-a…- respondeu, de forma casual.
Abandonou o balcão, e Moses relanceou o olhar pela loja. Os pais de Harriet arrumavam sacos de sementes numa estante baixa, acenaram-lhe amistosamente e ele respondeu ao cumprimento. Harriet entrou na loja, secundada pelo marido que se chegou ao balcão para atender outro cliente que acabara de entrar. Agora, tinha Harriet diante de si, a sua Harriet, tão distante como uma estrela no céu nocturno.
- Queria falar comigo, senhor Moses?
Não podia ser um sonho, conhecia e amava a sua voz, aqueles olhos escuros, a polpa dos seus lábios…
- Senhor Moses?
…o modo dócil e arrebatado como as suas pernas o envolviam, a ânsia sedenta com que as suas mãos lhe exploravam o corpo, avivando e exigindo o seu desejo.
- Vinha perguntar-lhe se deixei encomendadas as lâminas para a serra de arco. Acho que tinha falado consigo sobre isso…
- Não me lembro disso, mas posso verificar – dispôs-se, tirando de debaixo do balcão o caderno de encomendas…
Começou a folheá-lo à procura. Os pais dela tinham ido para o interior da loja, e o marido estava com o cliente, a mostrar as cavilhas de bronze junto à janela.
- Diga-me uma coisa, Harriet – aventurou-se – vocês têm algum filho?
Ela ergueu os olhos, surpreendida.
- Não! Desejávamos muito, mas Marcus é uma árvore que não dá frutos ou, pelo menos, assim julgamos porque na família dele é comum os varões ficarem velhos sem deixarem descendência. Desejávamos mesmo muito…
- Não encontra a encomenda? – perguntou de súbito, lembrando-se do pretexto que inventara.
- Não, de todo, mas podemos fazê-la de novo.
Conseguia ouvir o som metálico das cavilhas na caixa de madeira, e os pais deveriam estar a regressar à loja com mais sacos de sementes.
- Uma cicatriz em forma de vê, atrás – murmurou, aterrado com a reacção que Harriet poderia ter.
- O quê?
- Você tem uma cicatriz em forma de vê no fundo das costas, ao topo duma das nádegas, e um pequeno sinal rosado nas costelas, do lado direito – recitou muito rapidamente, a tremer como um adolescente – tem pavor de aranhas e de pregos e, por vezes, pesadelos por causa dum poço em que caiu quando era criança…
Ela estava abismada, mas teve o sangue-frio de pegar no caderno e aproximar-se do mostruário com as serras de arco. Moses seguiu-a.
- Como é que sabe tudo isso? Os sinais, posso compreender, porque pode ter-me visto a tomar banho no açude da floresta, mas o resto…
- Nós já estivemos juntos, Harriet, embora você não se consiga lembrar, estivemos juntos como marido e mulher, como amantes. Posso contar-lhe tudo sobre isso, ou posso mostrar-lhe um dia, se mo permitir.
Ela não aparentou vergonha, nem repugnância, e olhava-o nos olhos, sem falsos pudores; agora parecia mesmo a sua Harriet na obscuridade do quarto na cabana. Moses não conseguia disfarçar a sua alegria
- Irei visitá-lo à cabana, um dia destes, e continuaremos a nossa conversa – declarou ela num fio de voz, discreto e seguro.
Voltaram ao balcão, e Harriet assentou a encomenda que Moses lhe ditou em voz audível.
- Até breve, senhor Moses – despediu-se Harriet.
- Até breve, Harriet – respondeu animadamente, acenando para Marcus, que embalava as cavilhas escolhidas em papel pardo.
Saiu da loja, de sorriso rasgado. O desespero que sentira parecia agora uma coisa distante.
Só tinha pena do filho que deixara de existir.
Ou que ainda não existia.

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...