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mono-Logos


     O nosso peito está cheio de palavras, sabiam disso? É verdade, está sempre cheio até cima! Por isso, a culpa não é minha, porque eu sou como todos os outros, mas eles acham que eu é que falo demais e chamam-me de Mói-Almas mal eu solto duas palavras seguidas, e gritam-me esse nome se começo a contar alguma história, e ai de mim se insisto, porque negligenciam a benesse das alcunhas e dão-me dois ou três pontapés (que mal me acertam porque eu corro em volta como uma avestruz com uma leoa no encalço. Eu sou muito esperto, eles é que não sabem disso). Mói-Almas! Como é que eles se foram lembrar dum nome desses?! É certo que estou sempre a falar, e começo sempre muito de repente como se as palavras arrebentassem a represa e caíssem em catadupa sobre as suas vidas sonolentas, mas não faço por mal, e até tenho alguns colegas que gostam de as ouvir e abanam ritmadamente a cabeça, ou babam-se gentilmente como sinal de aprovação ao que eu vou narrando. Mas eles não, não gostam do que eu conto, porque correm a obrigar-me a tomar uns comprimidos para ficar mais calmo e, outras vezes, embirram com o que eu trago vestido e vestem-me uma camisa que não tem jeito nenhum porque me aperta nos ombros e não me deixa mexer os braços, e isso custa-me muito porque gosto de acompanhar as palavras com gestos das mãos como se regesse alguma orquestra. Mói-Almas! Se eu moesse de verdade as almas deles, a farinha que dali sairia não era boa sequer para fazer ração para porcos.


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...