Falta de autonomia


   As coisas aconteceram muito rapidamente e de forma muito parecida. Talvez ela tivesse, sem que o soubesse, alguma marca deixada pelo Anjo da Morte, porque era nisso que todos pareciam pensar quando a viam. O primeiro a não resistir à tentação foi o professor reformado que lhe dava explicações de matemática. Matou-a brutalmente com uma pancada na cabeça com uma barra de ferro enquanto ela esgrimia com os algoritmos. O segundo atropelou-a com o seu jipe TT depois de a seguir durante horas enquanto ela fazia a sua longa caminhada vespertina. Em seguida, e sem me demorar nos autores das atrocidades, posso adiantar que ela foi esfaqueada, estrangulada, envenenada com doses maciças de Fast Food, alvejada à queima-roupa com uma carabina, e afogada na banheira da sua casa. O que importa aqui realçar, é que ela era a principal responsável pelo que lhe estava a suceder, por não procurar ajuda profissional de psicólogos, recorrer a grupos de apoio ou pedir ajuda aos amigos para superar o seu problema. Era uma vítima em série e, simplesmente, não sabia como parar.

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