A Desgraça desce a rua


    A Desgraça desce a rua, é estranha e burlesca e por isso inspira o sorrisinho, o riso destelhado a céu aberto, a gargalhada liberta como uma ave a alçar voo. Tem feridas a Desgraça, chagas e sangue, tumores a levantar-lhe a pele dos membros e da cara, fetos mortos presos ao longo manto que ela arrasta pelo chão. Riem-se os que a vêem passar, apontam o dedo, apontam o que os faz rir, de alegria ou de trémulo medo. Não são minhas as desgraças, repete a Desgraça. Suficientemente baixo para que não a ouçam.

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