espaço vital

   O passageiro saiu por engano do comboio num apeadeiro levantado em nenhures. Quando deu pelo engano, já o comboio se afastava irremediavelmente. Suspirou e olhou em volta. Para além do apeadeiro, só havia uma meia-dúzia de casas meio derruídas e, em volta, apenas deserto pedregoso e ocre, marcado por fundas crateras de antigas explosões. Aproximou-se das casas e alegrou-se por avistar lá pessoas. Não eram muitas, porque só viu dois homens que se socavam com violência numa nuvem de poeira num pequeno largo, e uma mulher magra e esquálida que os observava sentada num degrau à sombra. Eles não paravam de lutar, pelo que se aproximou da mulher e perguntou.
   - Porque é que eles lutam?
   Ela encolheu os ombros.
   - Havia aqui um país antes, antes da guerra e antes de ter desaparecido. Agora só cá estamos nós...
   - E é por isso que lutam?
   - Sim, claro, somos três pessoas, e não há aqui lugar para todos nós...




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