a inteligência dos animais

   Quando eu era mais puto passava na televisão, nas tardes de Domingo, uns filmes americanos com animais que poderiam ser vistos como enternecedores ou deprimentes (o que era o meu caso). Eram sempre filmes um pouco antigos, dos finais dos anos sessenta ou princípios de setenta, que contavam sempre com uma ou mais crianças, e um animal (um cão, um gato ou um cavalo) que eram relacionados num enredo em que uns se perdiam dos outros, e o animal em foco mostrava que era corajoso, que era inteligente, ou que podia ser o centro afectuoso duma família e, aparentemente, sem precisar ser alimentado e sem libertar fezes.
   Sempre pensei que essas histórias com animais inteligentes, eram uma ficção, histórias inventadas para fabricar filmes e deprimir adolescentes e jovens; mas tive, muito recentemente, a prova de que a inteligência dos animais é um facto indesmentível.
   Eu estive há pouco de férias numa estância balnear e perdi lá o meu cão, um cão lindo, um Terrier australiano de pêlo dourado. Procurei-o, e pretendia continuar a procurá-lo até o encontrar, mas tinha forçosamente de regressar a casa porque havia esgotado os dias de férias e tinha de me apresentar no emprego. O incrível, é que o meu cão encontrou o caminho para casa e apareceu-me à porta três semanas depois, magro, sujo e cravado de carraças. Achei aquilo um fenómeno. Perdera-o a mais de duzentos quilómetros de distância e ele voltara pelos seus meios, palmilhando estradas, e atravessando rios e silvados, sempre com um fantástico sentido de orientação. E ali o tinha, o meu Terrier australiano. Para a próxima, tinha de o deixar ainda mais longe.

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