um caso excepcional

  O homem chamou-o. Estava parado diante da sua casa, e acenava para ele, chamando em voz alta pelo seu nome.
   - O que me quer? - perguntou-lhe.
   - Sou um carteiro, e trago-lhe isto!
   E estendeu na sua direcção um envelope grosso de cor amarelo-torrado.
   - E o que é isso? - desconfiou.
   - Uma carta, o envelope duma carta. Lá dentro traz, talvez, uma folha de papel com uma mensagem escrita, talvez algumas fotos, ou um cartão postal dum país distante. Pelo volume, pode trazer muitas coisas...
  - Não sabia que ainda existiam cartas, ou seja, que as pessoas ainda mandavam papéis escritos uns para os outros, pensei que já tudo se resumia a mensagens de correio electrónico ou correio metacefálico.
   - Como vê, o envelope e a carta ainda existem, estão aqui, diante de si, embora seja muito esperar que a carta estivesse mesmo escrita à mão, porque isso sim, seria o paroxismo dos anacronismos.
  - Está bem, dê-me a carta! - anuiu por fim, pegando nela e começando a afastar-se - estes envelopes não têm de ser pagos?
  - Os envelopes armadilhados, não - explicou o carteiro, em voz baixa, já acocorado.

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