o óculo

   Tinha tocado primeiro à campainha da porta, mas não tinha havido resposta, pelo que bateu à porta com os nós dos dedos, não com muita força porque não queria incomodar. Ninguém a abriu. Pôs-se em bicos de pés e espreitou pelo óculo da porta, mas não viu ninguém. Quem seria àquelas horas?! Vendedores ou pregadores? Espreitou novamente, e pareceu-lhe ver uma forma baça, certamente, uma pessoa esbatida pela jogo de imagens das lentes do óculo. Não abriu a porta, não se pode confiar em ninguém nos dias que correm. Bateu novamente, e novamente sem sucesso. Masquiu, coçou o pescoço, bateu o pé com impaciência. Espreitou novamente pelo óculo, mas já não viu ninguém, nem pessoa nem vulto. Desistiu, rumou à cozinha, serviu-se de um copo de Iced Tea e sentou-se na sala a ver televisão, um filme antigo no TCM, Dr. Jekyll & Mr. Hyde, de Rouben Mamoulian.

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