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ciclo viscoso

   A pequena companhia circense de saltimbancos e malabaristas acampou num terreno baldio à entrada da pequena aldeia. Naquela aldeia em particular, os habitantes eram quase todos velhos, porque os novos haviam ido para longe em busca de uma vida melhor, despovoando as ruas e as casas de sonhos e risos de crianças; mas mesmo assim, aqueles artistas acreditaram que seriam bem sucedidos ali, e alegraram as ruas com a sua música e as suas exibições, introduzindo novas cores e sons no silêncio adocicado dos velhos sentados em bancos de pedra nas ruas, e nos tons ocre e e cinza das fachadas de pedra e do reboco esfarelado dos edifícios a ameaçar ruína. Assim como chegaram, os saltimbancos e malabaristas voltaram a partir, devolvendo a aldeia à sua inanição. Mas este não foi um regresso tranquilo nem perfeito, porque os velhos que ali moravam deixaram de se sentir felizes e completos com o que antes tinham, por pouco que fosse, e a própria aldeia não recuperou às primeiras, porque logo na tarde em que os artistas seguiram o seu caminho, todos puderam ouvir nas ruas e nas pedras, na sombra das arcadas e no recesso das entradas das casas, um profundo e mineral suspiro de tristeza.


Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...