A justa


     Sentia as mãos tensas e esforçadas de conduzir o seu carro, e fixava a estrada à sua frente quando notou que outro carro o tentava ultrapassar pela direita. Pela direita? Não estavam em Inglaterra ou coisa que o valha! Acelerou o andamento do carro, sabotou a ultrapassagem e desceu a estrada à frente do outro, ganhando-lhe uma ténue vantagem. Quando olhou para trás, viu que o outro se deveria ter picado com a sua manobra, e acelerava também, ultrapassando-o, agora pela esquerda, sem que ele o pudesse evitar, cansado que estava. O outro fulano chegou primeiro que ele ao destino, e quando deteve o seu carro ao lado do dele, teve de resignar-se com o seu sorrisinho de triunfo, e aguentar a palmada forte no ombro. Encolheu os ombros, e ambos descravaram as pás do monte de saibro e começaram a encher os seus carrinhos de mão. A subir a estrada, com os carros carregados, não haveria lugar para corridas.

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