o aviso e o amigo

   No enorme parque de estacionamento do hipermercado, havia um par de mulheres a mendigar. Jorge viu-as, Afonso, ao seu lado, a rever a lista de faltas da loja, também as viu e notou o olhar significativo do amigo.
   - Não vais dizer nada. Temos muito trabalho para fazer, e para isso há os seguranças cá do sítio - avisou.
   Jorge não respondeu, mas as palavras de Afonso não o pareciam ter desarmado. Uma das mulheres saiu-lhes ao caminho.
   - Uma esmolinha p'r favor, vim agora dum país de leste. Muit' guerra no meu país!
   Jorge desarrolhou.
   - E porque é que não vais trabalhar, hã?! Porquê? És nova, não pareces incapacitada, podes muito bem trabalhar!
   A mendiga engalfinhou-se nele, mordeu-lhe o nariz, arranhou-lhe a cara, e trespassou-lhe o ventre com uma navalha que tirara dum bolso da blusa.
   Afonso suspirou, enquanto o amigo se contorcia no chão.
   - Eu bem te disse... - disse.

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