separações

     No Lar para idosos, o homem de meia-idade abandona o quarto onde o pai está alojado, e arrastando a perna com a ajuda duma bengala, cruza quase todo o edifício até à ala onde se distribuem os quartos individuais das mulheres. Bate a uma porta e uma voz sumida diz para ele entrar. Abre a porta. A mãe está deitada na cama, soerguida por almofadões. Ao seu lado, sobre a colcha, está pousado o tabuleiro do pequeno-almoço. Beija-a na face, e sente-se aliviado por poder sentar-se no cadeirão ao seu lado e dar um pouco de descanso à perna. Ela olha-o como se visse uma aparição, o que ele atribui à luz do sol que se espelha no vidro atrás de si, criando uma aura em redor do seu rosto.
     - O teu pai está bem? - pergunta a mãe.
     - Achei-o com boa cara, mas estive lá pouco tempo. Ele lembrou-se que hoje era Domingo, e que no segundo fim-de-semana de cada mês é contigo que eu devo ficar.

Mensagens populares deste blogue

Abril de 1918 - o caminho para uma Primavera de sangue

A viagem