Intuição

   Foi a intuição, primeiro do que a ciência, quem lhe fez saber que um novo ser crescia dentro de si. Sentiu alegria e felicidade porque sempre o desejara. Ainda antes de ir ao médico, limpou e arejou o quarto que sempre destinara para ser o futuro quarto de uma eventual criança. Lavou bonecos de pelúcia que haviam sido seus, decorou o quarto com o que tinha à mão, e saiu para ir comprar roupinhas de bebé, amarelas, que é a cor mais certa da incerteza.Os dias que se seguiram empregou-os de forma idêntica. A decorar, planear, comprar, preparar a vinda da nova criatura. E no meio de tanta azáfama, lá arranjou algum tempo para ir por fim ao médico. A resposta veio alguns dias depois. De facto, um novo ser dilatava-se no seu ventre, mas não era um bebé, mas um cancro.
   Havia dias, em que se cansava de ter sempre razão.

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