INSTRUÇÕES:

Outros dados, e cartas, no final da página

quase-crónica 2

   - Não te afastes muito, Rosa! - bradou-lhe Miguel da entrada do casarão convertido em Abrigo, trazia dois sacos com roupas e parecia muito atarefado. Rosa sabia, sorriu-lhe e acenou que não. A noite começava a cair e Rosa afastava-se com passadas tímidas, sorrateiras. Que sabia ele? A rua chamava-a, literalmente. Foi quando a passarada se acomodava na copa das árvores do passeio, que ela a ouviu distintamente, ouviu a sua menina a rir-se e a trautear uma cantilena infantil. Onde estaria ela? A malandra brincava certamente ás escondidas, como em tempos o faziam as duas na casa antiga. Apurou o ouvido e conseguiu perceber de novo as notas límpidas do seu riso.
   - Onde estás? - perguntou para o ar, e só lhe respondeu o chilrear ensurdecedor dos pássaros.
   Agachou-se ao pé dum carro estacionado, e espreitou por baixo. Nada. E outro mais adiante, e nada. Espreitava pelos gradeamentos das vivendas, às portas entreabertas dos prédios, ás esquinas das ruelas, e nada.
   - Anda, minha menina, está escuro e está frio, vem vestir as tuas roupinhas - desafiava, e ela não aparecia, e as ruas eram cada vez mais escuras e desoladas. E onde não havia casas, havia baldios, e casas em ruínas, onde se resguardavam os drogados em torno de pálidas luminárias. Já não havia carros, nem se viam pessoas pelas ruas.
   Pela primeira vez, sentiu receio, já não ouvia a sua menina e não sabia como voltar.
   - Miguel! Sequeira! - chamou Rosa com o medo na voz, sem qualquer esperança de maior.
   A resposta veio sob a forma de luz, uma luz doce, insidiosa, que emanava dum descampado junto a ela. Entrou nele de coração transbordante de felicidade.
   - Minha linda! - soluçou, feliz ao ver a filha diante de si, envolta por um halo de luz, uma figurinha pequena, mais pequena do que ela se lembrava.
   Subiu a rampa metálica ao encontro dela e abraçou-a com força, pespegando-lhe uma torrente de beijos.
   - Estás tão pequena! - queixou-se, emersas as duas na luz leitosa e brilhante - tens de comer mais, vou pedir ao Miguel que arranje comida para ti, muita comida!
   E como que para provar a sua razão, desentranhava da sua trouxa as roupas de criança da sua filha e ia experimentando-as nela.
   - Vês! Vês! - exclamava. Era a blusa que ficava larga, o lenço da cabeça, a saia com joaninhas estampadas que nem servia - tens de comer mais, estás a mirrar.
   A sua menina libertou-se dos seus abraços e acenou-lhe em jeito de adeus.
   - Precisas de ir, não é? Está bem, eu volto aqui noutro dia. Mas alimenta-te, minha querida, estás muito enfezada e assim fico preocupada contigo. Adeus!
   Desceu a rampa e ficou a acenar, enquanto a rampa do veículo espacial era recolhida para o interior do engenho. Lá dentro, e sem que ela o pudesse ver, um minúsculo alienígena horrorizado corria para se encerrar numa câmara de descontaminação.
   Rosa deu alguns passos para trás, sempre a acenar, quando a máquina se elevou nos ares, riscando a noite com a sua luz. E quando tudo ficou escuro, voltaram os receios, e ela voltou à rua, em busca do caminho para o Abrigo. Deambulou durante algum tempo até encontrar, ou ser encontrada, por Miguel. Quando o viu, Rosa correu a abraçá-lo, a chorar de alegria, feliz como nunca.
   Miguel não lhe perguntou a causa daquele pranto, não lhe perguntou nada, habituara-se a não o fazer.

Marcas

   Pequena fila na caixa do supermercado, um casal de idade dispõe os artigos na banda rolante, ela muito domingueira, de vestido pérola, colar de pérolas de vidro e cabelo armado num castelo de laca; e ao seu lado, o marido, de fatiota e lenço no bolso do casaco.O homem não está com meias medidas e e atrai as atenções com uma cantiguinha que improvisa sobre o sol e a chuva, libertando o seu cântico desafinado enquanto agita os ombros ao ritmo do repertório. Atrás deles, arruma-se na fila um casal jovem que os conhece.
   - Como está? - Pergunta o homem mais novo, com uma pergunta clássica do género: responde-qualquer-coisa-vaga-só-para-não-dizeres-que-não-te-dirigi-a-palavra.
   - Ah meu amigo! - responde - por aqui ando, a cantar para alegrar os corações dos outros.
   - Pelo menos está bem disposto... - respondeu o mais novo, com a voz em diminuendo para rematar o breve diálogo.
   - Ah! não é bem assim! - o crescendo da sua voz não augurava nada de bom - ainda hoje estive a chorar, a minha mulher que o diga. Estava a falar com uma moça nossa amiga, e veio à conversa a guerra no Ultramar, e pumba! - comecei a chorar só de falar nisso.
   - Aquilo deixou marcas, não é?
   - Se deixou, só quem lá esteve é que consegue perceber isso. Aquilo não foi só uma guerra, não foi como aquelas excursões armadas que a Nato e a ONU fazem, não senhor, aquilo foi um inferno na terra, pá, aquilo marcou as pessoas dos dois lados como um ferro em brasa na pele duma rês.
   - Pois, é complicado...
   - Complicado? Complicado é preencher o IRS, aquilo foi o diabo, e o diabo não larga as pessoas que estiveram numa guerra, e entra-lhes nos sonhos com a voz e a cara daqueles que nós matamos e torturamos lá. Ou você pensa que aquilo foi uma brincadeira?
   - Não, claro que não, eu ainda não era nascido, mas sei que não foi! Esteve lá muito tempo?
   - Não, eu não cheguei a ir. Quem lá esteve foi um primo meu, o Bicas. Epá! As coisas que o gajo conta, pá?! Nem lhe passam p'la cabeça, pá!!

Reunião de família

     Os convivas sentaram-se todos à mesa, estranhos convivas, na verdade. Na ala direita da mesa, um leão sentado, um rinoceronte, um hipopótamo e um zebu. E defronte a eles, também sentados como podiam, em cadeiras ou no chão, um elefante, uma girafa, um touro da Hircânia, e um corpulento javali. Era um verdadeiro jantar, porque eram animais mas também pessoas de verdade. Comiam como animais e conversavam efusivamente como peixeiras ou barbeiros em função. Na mesa ainda havia um lugar vago, e um prato (diminuto) vazio. O comensal a quem ele se destinava chegou atrasado, subiu por uma das pernas da mesa e posicionou-se junto ao prato com as patinhas dianteiras de barata a esfregarem-se uma na outra.
     - Gregor, pobre Gregor - susurrou o leão para o rinoceronte, o seu parente mais próximo entre os Samsa - sempre com os seus complexos de inferioridade.

A Besta do Extermínio

   A Roberto, zoólogo iniciante, especializado em Etologia, ocorreu-lhe uma dúvida original: o que aconteceria se um grande felino, um tigre ou pantera, fosse colocado diante dum espelho? Que comportamentos ou reacções se poderiam esperar dele?
   A questão parece insignificante, mas para ele assumiu uma importância capital, épica, um pouco como parece este tipo de questões a qualquer novel cientista que gostaria de passar de imediato do gatinhar ao voo, queimando as etapas intermédias e morosas que consomem dezenas de anos da vida útil dum indivíduo.
Dando seguimento à sua questão, mandou forrar um dos lados duma jaula em ferro, com um gigantesco espelho que preenchia um dos seus lados, ao topo. Em seguida, trouxeram a pantera negra, fazendo-a passar da jaula em que se encontrava para aquela, num movimento registado por câmara de vídeo e com Roberto com o bloco de notas numa das mãos e o gravador ligado no bolso da bata.
   A pantera entrou, correndo-se a porta atrás dela, e ficou a olhar para o espelho durante uns cinquenta longuíssimos segundos. De imediato, arqueou o corpo e saltou para a superfície vítrea mas quando todos esperavam ouvir o baque dos dois corpos sólidos, ou o estilhaçar do vidro, nada disso aconteceu. A pantera entrou dentro do espelho, passou para dentro dele.
   Agora, eu e vocês podemos compreender o triste fim que tiveram o Coelho Branco, o Gato de Cheshire, a Rainha de Copas, o Chapeleiro Louco e todas as outras criaturas maravilhosas que moravam no outro lado do espelho.

n-a-t-a-l

    Não quero que se deixem influenciar por mim, nem pretendo crocitar como uma ave agourenta, mas posso afirmar-vos que o Natal já não existe, foi destruído. Por quem? Por muitas pessoas e por nenhuma em especial. Eu vi! Vi tudo o que fizeram! Entraram portas adentro pela casa das minhas evocações, e destruíram a árvore de natal e os enfeites, despedaçaram no presépio as figuras toscas e os relevos em pedra e musgo que sustentavam casebres, moinhos, pontes e castelos. À árvore - pinheiro autêntico a cheirar a resina e a caruma - não satisfeitos em derrubá-la para a despojar de todo o enfeite, esgravataram no seu tronco como lémures ansiosos até exumarem nele pálidas lagartas que me apresentaram como uma iguaria inestimável, para que eu me apercebesse da podridão que lavrava sob a epiderme das decorações. Mas não foram só as decorações ou os enfeites que foram destruídos, foi tudo! A música, os risos, a ansiedade primaveril e luminosa, o odor dos cozinhados, a tentação alegre dos doces e bolos dispostos na mesa grande da família. Esta gente destruiu tudo, esgarçou, estilhaçou, estraçalhou, pisoteou tudo. Antes de me deixarem a sós com as ruínas das minhas memórias, houve um de entre eles que se aproximou de mim, deu-me duas pancadinhas no ombro e, como se pretendesse animar-me, lembrou:
   - O que é que tu estavas à espera? Tornaste-te um adulto!

o ponto de não-retorno

   A sua relação afectiva e sexual com Odete era marcada pela intermitência. Odete vinha ter com ele, ou ele ia ter com ela. Para cá e para lá. Na casa dum ou na do outro, no carro, nalgum lugar, lá iam tecendo a tapeçaria pálida dos seus quereres e sentires.Uma vez ela sugerira-lhe que vivessem juntos, e não passara da sugestão aventada, e esquecida; noutra ocasião, calhou a ele concluir a meio duma conversa, que seria mais confortável viverem os dois no mesmo sítio - sim, confortável fora a palavra que usara, como se mencionasse um colchão ortopédico ou uma almofada para pôr debaixo do rabinho num jogo de futebol. Talvez por isso, a proposta velada não teve seguimento. E as coisas arrastavam-se nesta urdidura surda, quando ele se viu sentado no barbeiro à espera de vez enquanto folheava uma revista com sete meses de idade. No rodapé duma entrevista, para preencher espaço vazio, mencionava-se um colorido facto histórico - Hernán Cortés, querendo motivar os seus homens a empreenderem a conquista do império Asteca, mandou incendiar os navios que os haviam levado até ali. Era um sinal claro e inequívoco do que tinham de fazer, tal como aquela nota de rodapé deflagrou aos seus olhos como um sinal providencial daquilo que ele próprio tinha de fazer.
   Umas horas depois, o tempo que precisou para ter o cabelo cortado e a barba feita, elegantizar-se e ultimar alguns preparativos, pegou no seu velhinho Fiat 127, e partiu ao encontro de Odete com a viatura a roncar e fumar como uma locomotiva velha. Eram já onze e trinta da noite quando lá chegou. Odete morava num quarto alugado na periferia da cidade, num prédio a apenas trinta metros da Escola onde agora leccionava com as mesmas regalias e estabilidade dum soldado raso da Legião Estrangeira. Seria problemático incendiar o carro diante do prédio, pelo que procurou um lugar vazio, o que só veio a encontrar no parque de estacionamento, completamente deserto, dum supermercado vizinho. Embebeu um pano com gasolina, e pendurou-o à saída do depósito como uma mecha monstruosa, e pegou-lhe fogo, fugindo dali a sete pés. A uma distância prudente, assistiu à explosão do pobre carro, com a expressão grave e soberana dum conquistador predestinado a derrubar impérios.
   Procurou Odete na sua morada. Odete não quis saber do seu carro nem de Cortéz. Odete já não o queria na vida dela porque se cansara e já não estava só. Sem protestar, voltou ao parque de estacionamento, e foi observar o rescaldo do seu carro incinerado. Na palma da mão, virava e revirava uma fina aliança em ouro, o único ouro que pudera trazer do seu império Asteca.

Carrêgo

   Quis o acaso que eu tivesse parado o carro à porta do café da aldeia, quando Juan Amalte se aproximava pelo passeio, a arrastar-se com movimentos penosos. Figura bizarra, a do Juan Amalte, cujo nome e história me contaram depois, a meu pedido. Imaginem o homem mais doente que possam imaginar, e podem titulá-lo de Juan Amalte sem qualquer injustiça. Torto, retorcido, os olhos raiados de sangue, apoiado num cajado grosso com toda a força dos seus braços porque as pernas já quase não o sustinham, e bastaria olhar com um pouco mais de atenção para descortinar na pele das mãos, do pescoço e da cara, altos sobre a pele, dos tumores emergentes que se formavam.
   Entrei no café para comer qualquer coisa e Amalte entrou também. Já todos sabiam ao que ele vinha. Juntaram-se à sua volta - homens e mulheres de diferentes idades - e imprimiram as mãos sobre o seu corpo enquanto ele gemia e gritava de dor e, logo em seguida, para meu completo espanto, começaram a insultá-lo e expulsaram-no dali com murros e pontapés. Enquanto o pobre homem subia a rua como podia, as pessoas no interior do café retomaram a sua compostura habitual como se nada se tivesse passado.
   Rebuscando alguma coragem, perguntei à dona do estabelecimento a razão daquela cena e o papel daquele homem estranho. Juan Amalte, explicou-me ela sem pejo, era o carrêgo da aldeia, pagavam-lhe para receber no seu corpo as faltas e os crimes das pessoas, e enquanto o fazia, a sua saúde e aparência definhavam de inúmeras formas diferentes. Quando a carga que tinha sobre si se tornava quase insuportável, ele abandonava a aldeia e subia à montanha onde, depois de processos e rezas que só ele conhecia, se banhava no Olho d'Água onde nascia o rio Pane que passava junto à aldeia, da parte do levante. Quando descia da montanha, Juan era um outro homem, forte e saudável como um estivador, e reinstalava-se na sua casa de sempre, vivendo confortavelmente do que os outros lhe davam.
   O meu trabalho como caixeiro-viajante, e os compromissos que já tinha agendado, não permitiram que me demorasse por ali até à volta de Juan Amalte, mas anotei mentalmente que teria de voltar àquela aldeia para voltar a ver o carrêgo dos seus habitantes. Por motivos vários que se prendem com a carteira de clientes e com as flutuações do negócio, apenas consegui fazê-lo largos meses depois e, mal lá entrei, dirigi-me de novo ao café, a única referência que tinha no local. A dona não me reconheceu, mas contei-lhe que havia lá estado antes e perguntei-lhe por onde andava o Juan Amalte.
   Ela contou-me então que Juan Amalte já não morava na aldeia, fora banido dela para todo o sempre, mas ela achava que ele não tinha a culpa e que fora uma injustiça de todo o tamanho. A vida da aldeia passara por uma fase sombria, com vários crimes de sangue que ninguém conseguiu deslindar, mas que todos acreditavam prender-se com terrenos e questões de partilhas. Depois desses crimes ocorrerem, Juan Amalte voltou a carregar com as faltas de todos e subiu à montanha para se purificar e, desta vez, teve de ser ajudado a subir por dois familiares porque não conseguia sequer andar. Naquele dia triste em que Juan se banhou na nascente do rio Pane, toda a criatura, animal ou homem, que bebeu das suas águas, morreu envenenada.

Sedimentos

    O número quatro da Rua das Bétulas, no bairro "operário" da cidade, é uma vivenda de dois pisos, com alpendres, telheiros e sacadas por todo o lado. Os primeiros moradores da casa de que as pessoas se lembram, era um casal que aí vivia, os Sousa. Diz-se que haviam vivido em Inglaterra e que no interior da casa isso era notório. Uma sala ampla com um balcão corrido num dos lados, com copos e canecas de vidro dependuradas como num pub, aparatos e acessórios de sistemas de aquecimento, muitos vidros e vidraças para receber a luz do Sol por ténue ou breve que ela surja. Mas o que os próprios Sousa apontavam como inequivocamente britânico era o papel-de-parede que revestia quase todas as divisões, e todas as que compunham o quadrilátero das paredes exteriores da casa. O primeiro papel de parede que eles elegeram tinha o motivo dum tecido de xadrês, o escocês, como nos kilts dos ditos e nas camisas de flanela dos pescadores portugueses. Como a humidade grassava naquela casa e o papel-de-parede desfazia-se como papel à chuva, os motivos do papel-de-parede foram sendo mudados ao mesmo ritmo, unicolores lisos, com listas, com motivos de flor-de-lis, de orquídeas, de animais da savana, silhuetas de andorinhas, de borboletas, de nuvens, de nus, de nozes, de ninfas... Os papéis iam-se sobrepondo em camadas, regendo o mais recente sem que o mais antigo fosse arrancado, e as paredes foram-se libertando da tirania dos ângulos e linhas rectas para apresentarem superfícies arredondadas, boleadas e curvilíneas como a anatomia de raparigas na tenra adolescência. É claro que estas remodelações tiveram um fim, morreram como morrem as pessoas. Neste caso, morreu apenas um dos membros do casal e o cônjuge foi viver para casa dum dos filhos. O número quatro da Rua das Bétulas esteve um tempo sem ninguém até ser comprada por um casal jovem, que se casara há menos de um ano. Este casal, que não partilhava os gostos anglófilos dos Sousas, nem a sua predilecção obsidiante pelo papel-de-parede, determinou desde o primeiro segundo no interior daquela casa, que toda aquela papelada tinha de ser removida por completo. Contrataram-se operários para o trabalho, que começaram a cortar o papel camada a camada, arrancando-a como se descascassem uma cebola. E o facto é que, quando chegaram ao último, ou melhor, quando arrancaram o último papel de parede, o escocês como o kilt dos ditos e as camisas de flanela dos pescadores, descobriram que não havia mais nada por trás, apenas a visão desembaraçada do jardim exterior da casa.

O escanção

    Pegou no copo alto com veneno e ergueu-o contra a luz, agitando para lhe admirar a cor e os tons, em seguida, aspirou a sua fragrância, com delicadeza, não para encher os pulmões mas para reter as suas modulações mais ténues. Por fim, e contrariando tudo o que havia aprendido ao longo dos anos, encheu a boca e engoliu sofregamente todo o líquido do copo.

Rainha

                Subiu lesto os parcos degraus que separavam o átrio do hotel do recinto sobrelevado onde haviam instalado a receção. Ab...