o tempo e o espaço

     A hora mudara e não se dera conta. À hora em que compareceu para a missa de Domingo, não encontrou os fiéis reunidos cá fora, os homens bem vestidos a comentar os jogos da véspera ou as tropelías dos políticos, as senhoras com vestidos e blusas de mangas plissadas e cabeleiras montadas com laca, nem as crianças a correr em volta nas suas alegres brincadeiras, ou as bancas na qual se vendiam tremoços e pevides, fiadas de pinhões, saquinhos de plástico com figos e nozes.
     No lugar, também não encontrou o adro da igreja com o velho castanheiro e o pelourinho de coluna octogonal, nem a igreja, ou a rua circundante com as suas casas antigas. Haviam mudado a aldeia de lugar e não se dera conta.

3 comentários:

  1. Quem sabe ele havia mudado e nem se deu conta de que já não era mais...

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  2. Tudo é possível,e a possibilidade que elegemos tem tudo a ver com as nossas inclinações, e com o estado de espírito do momento...

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  3. Por isto José é que considero os contos curtos tão bons! Dão margem a que possamos completar, continuar, modificar... como disse, de acordo com o olhar de cada um.

    Como introvertida, tendo a ver as mudanças a partir de dentro.

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arenga sobre o amor

«Tu és a mulher amada: destrói-me! Tua beleza /Corrói minha carne como um ácido! Teu signo / É o da destruição! Nada resta / Depois de ti ...