Abrir e ver

     Os cientistas aguardaram que morresse o "homem-que-nunca-chorou". Sentiam uma natural curiosidade científica por aquele fenómeno. Como o "homem-que-nunca-chorou" não tinha família, perguntaram-lhe de viva voz se autorizava a autópsia e, diante do seu obstinado silêncio, iniciaram-na. Abriram os sacos lacrimais junto aos olhos, estavam intactos mas o sal petrificara-se na saída por onde deveriam fluir as lágrimas, o que era uma explicação credível para a ausência de pranto. A surpresa maior veio quando examinaram o resto do corpo, porque encontraram vestígios de sal por todo ele, em volta dos órgãos e no meandro das veias e nervos. Faziam lembrar, à escala microscópica, o leito seco de rios salgados.

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