8'BRO 5: hobby

   Se um dia destes, passeando vós pela borda do mar, ou no centro histórico dalguma cidade a admirar as igrejas e monumentos, é perfeitamente natural que vos cruzem com o Seixas. Como as pessoas não trazem o nome tatuado na testa, vou descrever-vos quem o Seixas é, não a sua aparência, porque isso seria quase uma delação. O Seixas é um homem afável-social-dado-generoso-cativante-bem-humorado-prestável-e-simpático (apetecia-me exagerar no hífen), domina diversas línguas e possui cultura e leituras que cheguem para manter uma conversa aprazível com qualquer pessoa (ou qualquer-pessoa, se preferirem). Com tudo isto, podem notar como simpatizo com o Seixas. O Seixas está onde é preciso. Se vê alguns turistas a fotografar um monumento ou uma rua da cidade, aborda-os na língua em que falam, e dá-lhes informações com o à-vontade dum guia turístico ou dum historiador, ou faz sugestões sobre lugares a visitar, e pontos estratégicos donde podem tirar fotografias esplêndidas. Da mesma forma, o Seixas pode estar ao pé de vós quando, com uma máquina fotográfica à trela, admiram os barcos numa marina ou um pôr-do-sol sobre o mar, ou se esforçam para tirar uma foto num lugar inesquecível à vossa cara-metade, ou o inverso. Mas o Seixas faz tudo de uma forma elegantemente subtil, inteligente e desarmante, aborda uma pessoa como se não o estivesse a fazer, convocava-vos para uma troca de impressões como se tivessem sido vocês a tomar a iniciativa. Nesse jogo de cumplicidade que ele tece com os outros, torna-se normal que vocês lhe perguntem qual o melhor ângulo para fixar uma rua ou estátua, que lhe peçam para tirar uma fotografia convosco enlaçados à vossa cara-metade, ou que colabore a vosso pedido para capturar o melhor frame dum barco na marina ou do sol poente sobre o mar. Debitando vocabulário de fotógrafo profissional, o Seixas ajuda-vos, colabora, responde com humana simpatia. E logo que se vê a segurar a máquina fotográfica que vocês lhe confiaram, o Seixas - porque é isso que ele gosta de fazer - desata a fugir a sete pés, tão depressa e para tão longe que vocês dificilmente voltam a por-lhe a vista em cima.

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