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os nós atados

   João e Maria estavam casados para o melhor, só para o melhor, pelo menos, do ângulo do qual João via as coisas. Maria trabalhava pelos dois, ganhava pelos dois, criava os filhos sozinha, definhava sozinha por conta das contas por pagar e do dinheiro que nunca existia. João era um mandrião colaço, era inerente ao ambiente do lar como a mobília ou as paredes, estava em casa, às vezes, apenas enquanto não fora ou já viera da taberna, do jogo de futebol, ou da sueca nas mesas do Parque porque se devia aproveitar o bom tempo. Era o pai e o marido nominal, e mais um filho que Maria sustentava, luxo incomportável que estourava as finanças de Maria.
   Um dia, Maria clamou por liberdade e divorciaram-se. João não saiu da casa, não tinha para onde ir, o coitado, e ela não podia deixar que o pai dos seus filhos dormisse debaixo da ponte ou nas mesas do parque onde antes jogara à sueca. Continuou a morar na casa, nas águas-furtadas, e Maria sustentava-o à mesma, dando-lhe dinheiro, e continuando a esquecer a carteira na sala de onde ele surripiava uns trocos enquanto ela dormia pesadamente por porfiar e trabalhar demasiado.
   Por vezes, à sua frente, diante dos seus olhos sem brilho e do seu rosto precocemente envelhecido, alguma das suas amigas ainda se admirava:
   - Mas vocês estão meesmo divorciados!?
   - É verdade, estás a ver - respondia ela com um novo ânimo,uma força que lhe vinha do orgulho que tinha nisso - há alturas em que uma mulher tem de tomar uma posição e mudar o modo como as coisas vão!

Geena

                No rincão das matas enegrecidas, onde as árvores carbonizadas se assemelhavam a costelas fraturadas do corpo de uma ...