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A grande fuga

   Às primeiras horas da tarde, quando todos pareciam saciados e tranquilos, Napoleão procurou a imperatriz. Encontrou-a no alpendre largo do palácio, afagando um lenço de fina seda, com os pés a balançar nos degraus como se escutasse alguma música doce.
Sentou-se ao seu lado de forma deliberadamente casual, olhando por cima do ombro o ir e vir dos carcereiros - homens e mulheres de vestimenta branca que espiavam cada gesto deles, cada palavra, cada sopro de respiração.
   - Josefina, minha amada - disse com voz baixa, de olhos fixos no chão - é esta noite que vamos fugir. Um barco espera-nos no centro da enseada e, após uma curta viagem, estarei à frente dum exército de trinta mil homens que nos ajudarão a restaurar o Império.
   Ela sorriu, afastando da testa uma mecha de cabelo grisalho.
   - Pobre pajem sem tino! Vamos remar outra vez para o banco do jardim? Deita a tua cabeça agitada aqui no meu colo, que Madame de Pompadour ajuda-te a esquecer esses disparates!

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